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PRÁTICA > Básico

Supta baddha konasana

Por: Cyndi Lee

Postura deitada entrelaçada do ângulo
 

Tradução: Cacau Peres

Supta baddha konasana
supta: deitado
baddha: entrelaçado
kona: ângulo
asana: postura

 


Eu sou uma daquelas mulheres urbanas cuja vida está sempre lotada de coisas por fazer. Dou aulas de Yoga, geren­cio meu próprio negócio, cuido de um parente doente, e, obviamen­te, pago minhas contas, passeio com o cachorro, lavo roupas e outras milhões de tarefas. É complicado para mim encontrar um momento para relaxar. Porém, como professora de Yoga, aprendi o valor insubs­tituível de aquietar o corpo e a mente. A pergunta é: como incluir o relaxamento dentro de minha rotina louca?


Recentemente, estava lendo o livro Plano B, de Anne Lamott, e me deparei com uma ideia interessante: ela diz que durante momentos de estresse, quando a vida parece estar indo muito depressa, temos de fazer uma escolha consciente de dar uma parada e relaxar. A solução dela é partir em um cruzeiro. Mas o “cruzeiro” não se passa em um navio; acontece no sofá! Ela simplesmente leva para a sala seu cobertor favorito, travesseiros e livros; deita-se no sofá e fica lá por um tempo. “É inacreditavelmente restaurador”, diz ela. “Eu fico zerada.”


Enquanto pensava na sugestão de Lamott, me dei conta de que fa­zer esses cruzeiros no sofá é exatamente o que o Yoga restaurativo faz – exceto que o relaxamento é mais consciente e, portanto, mais rejuvenescedor. Ele renova a nossa energia ao criar espaço no corpo e acalmar o sistema nervoso. O Yoga ensina que a prática do re­laxamento é uma das melhores coisas que podemos fazer pela nossa saúde – e paz de espírito.


Uma das melhores formas de vivenciar isso é com o supta baddha ko­nasana, uma postura mágica, que nos lembra a sensação de férias, que nos permite atingir um estado de repouso entre 5 e 20 minutos. Essa postura proporciona um alongamento para a parte medial das coxas e abre o quadril, melhorando a circulação aos órgãos vitais de excreção e de reprodução. Ela também permite uma abertura no peito, como o que acontece durante o savasana (postura do cadáver).

 


Restaure-se
O supta baddha konasana pode ser pra­ticado sem o auxílio de acessórios, ou com suporte de bloquinhos ou a parede. Quando praticado com uma varieda­de de cobertores, almofadões e outros props, a postura se torna a rainha de todas as posturas restaurativas. Quando sustentamos nosso corpo de todos os lados e ângulos, criamos as condições necessárias para que o real relaxamento aconteça. A postura é um antídoto po­deroso para o estresse que muitos de nós vivem no dia a dia. Como todo Yoga res­taurativo, ela diminui a resposta de luta ou fuga do sistema nervoso simpático (o estado hiperalerta em que entramos quando estamos estressados) e aumenta a resposta do sistema nervoso parassim­pático, que relaxa os músculos, promove a digestão, abaixa o batimento cardíaco e promove uma boa noite de sono.


Você perceberá que o supta baddha konasana produz um bom alongamen­to, especialmente para o quadril. Mas a postura não tem somente esse propósi­to; ela deixa a ansiedade ir embora e o contentamento chegar.
Antes de se jogar na postura, que aqui apresentamos como uma versão ainda mais restaurativa, comece a explorá-la de forma simples. Tudo de que precisa­mos é de um espaço no chão e um tape­te ou cobertor para praticar.


Primeiro, sente-se em dandasana (pos­tura do bastão), com as costas eretas e as pernas estendidas à frente. Coloque as mãos sob os joelhos e use os dedos para flexionar as pernas, levando os jo­elhos em direção ao peito. Lentamente deixe as coxas penderem para os lados, mantendo os pés unidos. Aproxime os calcanhares da pelve. A partir daí, dei­te-se como se fosse entrar em savasana, deixando os braços ao longo do corpo, com as palmas das mãos voltadas para cima. Relaxe os ombros, levando as escápulas para dentro das costas. Faça várias respirações profundas e relaxe.
A postura produz uma grande aber­tura no quadril, virilhas e parte medial das coxas e, para algumas pessoas, isso proporciona uma sensação intensa. Portanto, fique nessa postura por 3 a 5 minutos. Mesmo que seja megaflexível, as coxas podem sofrer por excesso de alongamento. Se sentir algum estira­mento nos joelhos ou nas coxas, saia da postura. Ao voltar a unir as pernas, use as mãos para dar suporte. Gire para a direita e lentamente sente-se.


Se quiser permanecer por mais tem­po na postura, faça a variação. Coloque bloquinhos ou travesseiros sob as coxas de forma a continuar a ter a abertura do alongamento sem extenuar os mús­culos, quadril ou joelhos. Os acessórios permitem suavizar as virilhas internas, deixando que o alongamento aconteça pouco a pouco. Nessa variação, é possí­vel permanecer por até 20 minutos.

 


Paparique-se
Agora tente uma variação da postura com 100% de suporte, para ter “fé­rias instantâneas”. Serão necessários um ou dois bolsters (almofadões), dois bloquinhos, três ou quatro cobertores, um cinto de Yoga e três travesseiros de olhos.
Para começar, coloque um bolster no chão e deixe um cobertor dobrado so­bre uma das extremidades, para que ele possa sustentar a cabeça quando deitar-se. Coloque um bloquinho e um cober­tor dobrado de cada lado.


Deite-se sobre o bolster até que a ex­tremidade dele toque o sacro. Sente-se em dandasana e posicione as pernas em baddha konasana (postura do ângulo en­trelaçado). Faça um círculo com o cinto de Yoga e passe-o sobre a cabeça, pas­sando os braços por dentro dele, como se estivesse vestindo uma camiseta. Po­sicione o cinto ao redor do sacro e sobre as coxas. Deixe que a ponta da fivela es­teja no seu lado dominante (se você for canhoto, a ponta do cinto deverá ficar do lado esquerdo). Agora passe o cinto por cima dos calcanhares e depois ao redor dos pés. Com a mão do lado da ponta do cinto, puxe o mesmo, mas não muito forte, aproximando os pés da pelve. O cinto segura os pés e pernas na postura, de forma a não ser necessário nenhum esforço muscular extra. Não tente apro­ximar muito os pés da pelve, somente o necessário para sentir um alongamento suave na parte medial das coxas.


Coloque um bloquinho sob cada coxa de forma que as pernas fiquem bem sustentadas. Ajuste a posição dos blocos para suavizar a intensidade do alongamento nas coxas. Lembre-se de que estamos buscando uma sensação suave de abertura na região e não um alongamento intenso. Ajuste o cober­tor para que ele fique bem posicionado sob o pescoço, sustentando a cabeça.


Passe as mãos sobre os glúteos e em­purre a pele em direção aos pés. Isso ajuda a criar uma sensação de espaço e alongamento na lombar e no sacro. Se sentir desconforto na lombar, sente-se e coloque outro cobertor dobrado na frente do bolster. Sente-se sobre o cobertor, deite-se com cuidado e veja como se sente. Essa altura extra pro­porcionada pelo cobertor deverá di­minuir a curva na lombar, eliminando qualquer desconforto.


Agora posicione os outros dois co­bertores dobrados de forma que eles fiquem na direção natural dos bra­ços quando estes estiverem relaxados para os lados. Pegue dois travesseiros de olhos e coloque-os um sobre cada mão. Coloque o outro sobre os olhos. Depois desça os antebraços e os coto­velos e posicione-os sobre os coberto­res dobrados. Deixe que os travessei­rinhos sobre as mãos ajudem a relaxar qualquer tensão que tenha nos dedos, punhos, ombros e até mesmo no peito. Para ter ainda mais conforto, peça a um amigo para cobri-lo com um cobertor sobre o tronco.

 


Deixe fluir
Ahhhh… Agora estamos em um cruzei­ro. Dê-se algum tempo para acomodar-se e fazer quaisquer ajustes que julgar necessários.


Nessa postura, faça algumas respira­ções intensas e conscientes. Perceba a respiração indo até as costas, sentindo os pulmões se expandirem sobre o bols­ter. Sinta a respiração de ambos os la­dos do corpo. Sinta-a na frente do cor­po, indo da base dos pulmões até as cla­vículas. Inspire mais uma vez, levando o ar para todo o corpo, e perceba como se sente. Deixe fluir e pare de tentar fazer qualquer coisa além disso.


Outra forma de fazer essa postura é com as pernas apoiadas em uma pare­de ou até mesmo na cabeceira da cama. Esta variação é uma combinação deli­ciosa de supta baddha konasana com vi­parita karani (postura das pernas apoia­das na parede). Para executá-la, sente-se no chão, a uns 15 a 25 cm de distância da parede, vire-se de lado e então leve as pernas contra a parede, apoiando-se no chão sobre as costas. Flexione os jo­elhos e apoie as solas dos pés na parede. Aproxime os pés da pelve. Se estiver fazendo a postura na cama, coloque um travesseiro sob o quadril antes de levar os pés à parede e outro sob a cabeça.


Quando praticamos supta baddha ko­nasana, começamos a entender, de uma forma consciente, o real valor do cuida­do com si próprio. Acho que isso é o que Anne Lamott de fato quis dizer quando sugeriu o “cruzeiro no sofá”. Algumas vezes a melhor coisa que podemos fazer por nós próprios e os outros é parar de ir além dos limites, parar de achar que temos de cuidar de tudo nesse exato momento. Por que não deixar a roupa para lavar esperar um pouco? Por que não, em vez de passear com o cachorro, não dedicar um pouco de tempo a nós mesmos? Se começar a praticar o supta baddha konasana, asseguro que quando for cuidar de suas tarefas, estará mais eficiente e mais feliz também.


O Yoga não se trata de atingir objeti­vos. Na verdade, um dos pré-requisitos do Yoga como ensinado por Patañjali nos Yoga Sutras é santosha, ou contenta­mento. Contentamento não é ser pas­sivo; é ser receptivo ao que a vida nos oferece, aceitando o que a vida nos dá sem resistência. Podemos plantar essas sementes de contentamento quando estamos deitados em supta baddha ko­nasana. Assim que o cruzeiro de Yoga terminar, não esqueça o que sentiu. Po­demos sempre voltar a esse sentimento, a esse estado relaxado da mente.

Cyndi Lee é autora, artista e professora de Yoga. É fundadora do Om Yoga Center

 


Benefícios da postura
Melhora a circulação sanguínea na parte inferior do abdome
Melhora a digestão
Alonga a parte medial das coxas
Aumenta a amplitude de rotação externa do quadril
Acalma o sistema nervoso

 


Cuidados
Lesões nos joelhos
Dores lombares

 

Comentários



17/10/2011

gilberto machado disse:

muito boa essa matéria de vocês, gostaria que me mandasse via email



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