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PRÁTICA > Básico

Luz do luar

Por: Andrea Ferretti

Obtenha brilho interno fluindo suavemente na saudação à lua
 

Tradução: Thays Biasetti

Sequência de Shiva Rea
 

Como habitantes de uma cultura competitiva, yogis ocidentais frequentemente gravitam entre práticas de intensidade e de força. De fato, a sequência mais onipresente do oeste é certamente a quente saudação ao sol. O nome sânscrito da sequência, surya namaskar, é literalmente traduzido como “reverência ao sol”. E enquanto faz todos os movimentos desse ciclo (que possui várias versões), você começa a incorporar a energia solar. Você estende, fortalece e aquece todo o ser de dentro para fora. Mas nos dias em que está se sentindo esgotado, superestimulado ou superaquecido, é bom saber que surya namaskar tem uma sequência irmã tranquilizante conhecida como chandra namaskar, ou saudação à lua. Como o nome sugere, chandra namaskar é uma sequência aquietadora que referencia e cultiva a energia calmante lunar. “Esse tipo de prática é benéfica para homens e mulheres que estão estressados”, diz Shiva Rea, a criadora do Prana Flow Yoga, que oferece a sequência nesta matéria. “É uma ótima maneira de equilibrar sua energia antes de chegar ao ponto de exaustão.” Chandra namaskar é uma prática aquietadora, e a Bihar School of Yoga, onde Shiva a aprendeu pela primeira vez, ensina a sequência com uma meditação no início e no fim e oferece a opção de entoar um mantra diferente relacionado à energia lunar para cada postura.

 


Poder da Lua
Talvez chandra namaskar não seja tão conhecido porque não é usado há muito tempo; é uma invenção do final do século XX. A Bihar School, uma escola de Yoga fundada na década de 1960 na Índia, publicou a sequência pela primeira vez no livro Asana Pranayama Mudra Bandha em 1969. (O centro Kripalu de Yoga & Saúde criou uma variação de chandra namaskar em 1980 que difere da sequência que apresentamos aqui.) Mas a ideia de olhar para a lua a fim de rejuvenescer não é nova. De fato, o Shiva Samhita, um texto tântrico de 500 anos, considerava a lua como fonte de imortalidade. Em The Alchemical Body (sem tradução do Brasil), David Gordon White, professor de estudos religiosos na Universidade da Califórnia, descreve como praticantes de Tantra acreditavam que o sol estava localizado no plexo solar; a lua, na coroa da cabeça. Pensava-se que a lua continha amrita, “a substância da lua macrocósmica, o néctar divino da imortalidade”, que “se derrama no mundo na forma de chuva vivificante”. Enquanto o ardente sol no abdome era importante para desencadear o processo yóguico, seu calor, com o tempo, causaria envelhecimento, declínio e morte.

Para reverter esse processo, yogis faziam práticas específicas, como invertidas ou mudras (selos), para preservar e produzir amrita. O ato de virar de ponta cabeça levaria fluidos vitais dos chakras mais baixos para a coroa, onde seriam transformados em amrita (também chamado de soma). Se aplicarmos essa anatomia esotérica à prática moderna do Hatha Yoga, poderíamos dizer que surya namaskar aciona o processo yóguico aquecendo o corpo e proporcionando fogo interno e paixão para mergulhar profundamente no estudo do Yoga. E chandra namaskar é um método de esfriar o corpo, o que pode ajudar a reabastecer nossa energia vital. “Podemos criar soma dentro de nós mesmos. É cultivado pela meditação e pelo sadhana lunar (prática),” diz Shiva Rea. Textos yóguicos dizem que o corpo tem tanto energia que aquece como que esfria e que Yoga e pranayama (trabalho respiratório) podem ajudar a harmonizá-las. Fazer isso é parte da preparação do corpo para a autorrealização. Rea diz que, depois de muitos anos de uma prática “solar” intensa, a prática regular de chandra namaskar a mudou. “No âmbito pessoal, chandra namaskar realmente me ajudou a me tornar uma yogini de espectro total”, ela diz. “Todos sentimos essa vazante e esse fluxo em nossa energia, e agora dou valor aos dois lados. Em vez de achar que ter uma baixa de energia é uma droga, agora vejo como uma energia mais meditativa.”

 



Entre no Ritmo
Na versão de Shiva Rea de chandra namaskar, as posturas não são tão diferentes das do surya namaskar. Mas a intenção, o ritmo e a qualidade do movimento são completamente diferentes. Shiva sugere tomar tempo para conscientemente acertar o ânimo de sua prática. Se puder, posicione-se para que possa ver a lua ou pratique ao ar livre à noite. Se estiver dentro de algum lugar, mantenha a meia-luz, acenda algumas velas e crie uma atmosfera igual à de um útero. Encontre o que funciona para você.


Comece sua prática com uma meditação curta, como do quadro ao lado, para cultivar sua conexão com a lua. Leve sua atenção para dentro, convi­dando um senso de receptividade para a prática. Para realçar o foco interno, repita um canto lunar tradicional, Om somaya namaha, enquanto se move de uma postura à outra.


Preste atenção à qualidade de cada movimento. Em vez de pular de uma postura para outra como na saudação ao sol, mova-se lentamente, como se estivesse na água. Você também pode adicionar alguns movimentos espontâneos nas posturas. Por exemplo, em vez de entrar imediatamente na postura da cobra, que é uma extensão criadora de calor, tente girar os ombros para trás e balance de um lado para o outro até chegar à sua versão natu­ral da cobra. Shiva Rea chama isso de sahaja, que ela descreve como “o movimento espontâneo que vem quando estamos receptivos à nossa sabedoria interna inata”.

 


Economia de Energia
Quando puder, pratique chandra namaskar à noite. Surya namaskar é tradicionalmente praticado ao nascer do sol como uma maneira de homenagear o sol e aquecer o corpo para o dia. Faz sentido, então, praticar chandra namaskar quando a lua está no céu. Não apenas é um ótimo jeito de se preparar para dormir; o nascer e o pôr do sol sem­pre foram considerados horários poderosos para praticar Hatha Yoga, aponta o professor de Yoga e editor da Yoga Journal Richard Rosen. “Durante esses horários, há um equilíbrio entre a luz e a escuridão. Não é dia. Não é noite. Você está em uma junção entre os dois”, ele diz. “Isso se reflete internamente no corpo: suas energias quente e fria também estão em equilíbrio. É uma hora natural para fazer a prática.”


Além da hora do dia, você também deve consi­derar a época do mês. Shiva sugere escolher alguns dias du­rante a lua nova, a lua cheia e a lua minguante (14 dias depois da lua cheia), já que nossa energia está baixa nessas épocas. Para mulheres com ciclo menstrual, chandra namaskar pode ser um bálsamo para dias de energia baixa.


O mais importante: mova-se lentamente. Isso significa que não tem de sincronizar cada movimento com a inspiração ou a expiração do jeito que faz na saudação ao sol. Saboreie a prática e permita que ela o traga para um estado mais presen­te. “Não há uma ‘solução rápida’ quando se faz essa prática”, diz Shiva Rea. “Mover-se lentamente e fluir pelos asanas sem um objetivo postural tem um efeito cascata inacreditável em termos de rejuvenescimento e habilidade de ser, mesmo se você tiver apenas 20 minutos. Não se trata de quanto fazer; trata-se da qualidade de ser.”
Andrea Ferretti é editora-sênior da Yoga Journal e adora praticar sob o luar.

 


Meditação do luar
Essa meditação, adaptada da Bihar School of Yoga, pode ser feita antes ou depois do savasana (postura do cadáver).
Sente-se em uma posição confortável com as pernas cruzadas. Lentamente tor­ne-se consciente do espaço entre as so­brancelhas. Nesse espaço, visualize uma lua cheia em uma noite de céu limpo, bri­lhando vivamente nas ondas do oceano. O reflexo da lua penetra as águas profun­das, e a sombra do luar alcança os topos das ondas enquanto elas dançam.

Veja a imagem claramente e desenvol­va uma atenção dos sentimentos e sen­sações na mente e no corpo. Lentamen­te deixe a visualização desaparecer e de novo torne-se consciente de todo o corpo.

 


Flua e brilhe
Por Shiva Rea


Pratique com Shiva Rea.
Veja o vídeo da sequência: yogajournal.terra.com.br/show_video.php?id=42

 

 


Anjali Mudra (selo da saudação), variação
Entre em um estado lunar: afaste os pés na largura do quadril, gire as palmas das mãos para cima e una os dedos mínimos nesse mudra de libertação e escuta interna.

 

 



Anahatasana de Pé (postura de abertura do coração)
Inspire, abra os braços. Expire, mãos no sacro. Inspire, leve o peito e o abdome para cima. Mova-se entre essa postura e uttanasana lunar três vezes.

 

 

 


Uttanasana Lunar (postura lunar do alongamento intenso para a frente)
Flexione o tronco à frente, mantendo os joelhos soltos e o pescoço relaxado. Leve o peito às coxas com as palmas viradas para o céu. Solte a tensão na coluna.

 

 

 

 



Transição para Sahaja Ardha Malasana
Expire enquanto gira o corpo todo no sentido anti-horário até que esteja com os pés afastados e paralelos.

 

 

 

 


Sahaja Ardha Malasana (meio agachamento de fluxo espontâneo)
Inspire, flexione o joelho esquerdo e estenda a perna direita. A coluna se mantém alongada. Expire, leve energia da parte medial das pernas para o assoalho pélvico. Inspire, mude de lado com a mesma consciência. Agora vá e volte fluindo mais duas vezes, movendo os braços e o tronco em um fluxo espontâneo.

 

 

 

 


High Lunge
Gire em direção à sua perna esquerda para entrar em um high lunge, e fique pronto para um vinyasa lunar.

 

 

 

 

 


Svananada (postura cachorro olhando para baixo repleto de bênção)
Expire, flua para cachorro olhando para baixo com um sentimento lunar. Pedale com os calcanhares, movendo-se livremente pelo quadril e coluna. Solte a mandíbula, deixe o pescoço mover livremente, sinta a bênção autogerada de um cachorro libertado.

 

 

 

 

 


Cachorro olhando para baixo com três pernas
Pause em um cachorro para baixo neutro. Inspire, estenda a perna direita para cima, então expire e leve-a para baixo próximo ao pé esquerdo. Inspire, estenda a perna esquerda para cima. Inspire, traga-a para baixo em um high lunge.

 

 

 

 

 


High Lunge
Inspire no lunge. Expire, leve o pé direito em direção à frente do mat, mexendo o quadril lentamente de um lado a outro em um lento passeio com energia relaxada.

 

 

 

 

 


High Lunge
Em uma expiração, leve o pé esquerdo de volta no high lunge com o joelho da frente acima do tornozelo e o calcanhar de trás pressionando para trás.

 

 

 

 

 


Somachandrasana I (Vinyasa Néctar da Lua fluido I)
Inspire, leve o braço direito acima da cabeça enquanto gira os pés no sentido horário. O pé da frente fica em um ângulo reto; o pé de trás, na prancha lateral.

 

 

 

 

 


Somachandrasana II
Expire, leve a mão direita ao seu lado. Alcance o pé de trás com o peito aberto, ombros nivelados e pernas ativadas. Mova entre somachandrasana I e II mais duas vezes.

 

 

 

 

 


Postura da Prancha
Inspire, dê um passo para trás na prancha com as mãos abaixo dos ombros, o core ativado e uma longa linha de energia fluindo da coroa para o cóccix e para os calcanhares.

 

 

 

 

 


Anahatasana
Expire, joelhos no chão, abdome inferior ativado. Leve as mãos à sua frente, na largura dos ombros, soltando o peito em direção à terra. Descanse por várias respirações e abaixe até o chão.

 

 

 

 

 


Sahaja Bhujangasana (postura da cobra de fluxo espontâneo)
Traga as mãos abaixo dos ombros e levante o peito, alternadamente rolando pelos ombros e liberando o pescoço. Deixe a coluna se mover fluidamente e sem constrição ou hesitação.

 

 

 

 

 


Uttanasana Lunar
Arqueie em cima das pernas em uma flexão lunar com os pés juntos ou separados na largura do quadril e os braços soltos em direção à terra, palmas giradas para o céu.

 

 

 

 


Anahatasana de Pé
Levante-se, mãos no sacro. Enraíze pelos pés; endireite-se pelas pernas, peito e coroa. Relaxe a mandíbula. Suavize o palato como se recebesse uma gota do néctar lunar.

 

 

 

 

 


Anjali Mudra, variação
Reflita internamente antes de mudar de lado. Retorne para cá depois do segundo lado para oferecer um mudra final, uma dedicatória, um momento de gratidão e uma oração para a paz e o rejuvenescimento de todos os seres.

 


Repita a sequência toda para o outro lado, dessa vez levando a perna direita para trás em high lunge.
 

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